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22 junho 2015

Literatura e Heavy Metal: Justine ou Os Infortúnios da Virtude-parte 2

        Mesmo alertada da trama a condessa morre envenenada pelo filho e Justine é culpada por não ter participado do crime por Adonis. Ela a leva ao bosque e lá confessa que soubera que a jovem contou a condessa o seu plano, e a castiga fisicamente, dando chicotadas violentas. Quando percebe os suspiros fracos da jovem, diz que todos do castelo sabem que foi ela quem envenenara a condessa e aconselha que Justine fuja pois o seu processo criminal não fora nulo e sim acrescentado mais um crime: assassinato.

        Chegando em uma aldeia, bastante debilitada, um médico ajuda a curar suas feridas. Justine passou dois anos vivendo na casa do médico, até que um dia, escuta um choro de menina no porão, e suspeitando das maldades do doutor, liberta a garotinha. Sem tempo para fugir, é surpreendida pelo médico, que a tortura e marca suas costas a ferro. Depois, deixa Justine na floresta. Aos 22 anos de idade, Justine só viu um mundo injusto e cruel.

“Doce solidão (...) como tua morada me causa inveja” (Justine).
        Confiando na santidade de religiosos, ela se dirige ao Convento de Recoletos, onde é estuprada por quatro padres, perdendo pois sua virtude (sua virgindade), seu maior bem.

“Eu provei num tal grau de violência que as dores da dilaceração de minha virgindade foram as menores que tive que suportar naquele perigoso ataque” (Justine)
        Ali, a moça torna-se prisioneira das depravações dos religiosos (para mim, as depravações sexuais dos padres, tem muita intertextualidade com as do próprio marques de Sade).

“A religião é para mim o efeito do sentimento e tudo que a ofende ou ultraje faz sangrar meu coração” (Justine).
 
        Mesmo em tal provação, Justine sempre vale da religião como uma esperança diante da crueldade da vida e das pessoas que sempre utilizam-se da fraquezas de certas pessoas, para sua ascensão social ou sexual. Os anos passam e com a chegada de dois novos padres, as moças ou prisioneiras sexuais são libertas, sob a ameaça de um sigilo absoluto de tudo que lá viveram.
“E tu, desgraçada criatura, sofre sozinha, sofre sem te queixar, pois está escrito que as tribulações e os sofrimentos devem ser a  partilha terrível da virtude” (Justine).

        No caminho fora de Lyon, conhece Dalville que se encontrava muito machucado. Ela o ajuda e ele oferece um abrigo para a jovem. Dizendo morar com a esposa e que precisava de uma criada, seduz Justine rumo a mais uma prisão: um falsário, onde fora proposto “trabalhar em uma cisterna onde mais duas mulheres nuas e agrilhoadas, moviam a roda que despejava água num reservatório” (p. 91).

“A ingratidão, em lugar de ser um vício, é, portanto, uma virtude das almas dos fortes, assim como a beneficência é a virtude das almas fracas” (Dalville).
        Como prova de sua superioridade, Dalville chicoteia Justine, sem motivo algum.

“Portanto, o homem é naturalmente mau, ele está no delírio das suas paixões quase sempre como na sua calma, e em todos os casos, os males do seu semelhante podem ser prazeres execráveis para ele” (Justine).
        Já rico com suas trapaças, Dalville vai embora, deixando um substituto nos negócios: Roland, um homem aparentemente bom, que liberta as jovens daquele humilhante trabalho e lhe emprega na oficina de cunhagem de moedas. Contudo, a polícia logo chega ao local e prende a todos, levando-os para Grenoble.

        O magistrado ouve a história de Justine e não permite que ela vá para a forca. Instala a jovem em um albergue e avisa que já está livre de todas as suas supostas culpas. Reconhece naquele lugar a ladra Dubois, que agora já é condessa. A mesma planeja roubar um comerciante que está encantado com Justine e pede a ajuda da jovem. Sabendo que Justine iria alertar o senhor Dubrevil, homem digno que promete casa-se com Justine, a ladra/condessa envenena o comerciante. O amigo do comerciante acredita nas palavras de Justine e recomenda que a mesma siga a senhora Bertrand.
        Alojada em um albergue em Villefranche, ocorre um incêndio. Na tentativa de salvar a vida da filha de Bertrand, Justine escorrega e acaba deixando a criança cair nas chamas. Notando que também fora roubada, a senhora Bertrand acusa Justine. Testemunhas acabam confessando ter visto Justine em várias cenas dos crimes descritos.

“Sabereis morrer inocente e pelo menos sem remorso” (Justine).
        No final da narrativa, Justine que omitira seu verdadeiro nome, usando o nome de Sofia, diz ser Justine. A senhora de Lorsarge, trata-se pois de sua irmã Juliette. As duas se abraçam e choram bastante. O senhor de Corville, amante de Juliette, promete ajudar Justine. Escreve uma carta que chega nas mãos do rei que com a ajuda de um advogado (o mesmo que encaminha Justine ao albergue assim que o magistrado lhe absorve de seus crimes, antes de conhecer a senhora Bertrand e dos infelizes acontecimentos) inocentam a jovem.

        Mesmo feliz, Justine não acredita nesse momento feliz, sentindo que a qualquer momento a sombra da infelicidade baterá a sua porta. Em um dia tempestuoso, ela é atingida por um raio e morre. Com esse acontecimento, Juliette se arrepende de todos os seus crimes do passado e abandona o senhor Corville. Pede perdão a providência e ingressa no Convento das Carmelitas.

“Oh, vós que ledes esta história, passai tirar dela o mesmo proveito daquela mulher mundana e corrigida; passais convencer-vos com ela que a verdadeira felicidade está somente no seio da virtude, e que se Deus quer que ela seja perseguida na Terra, é para preparar no céu a mais faustosa recompensa” (Narrador).

Referência: SADE, Marques de. Justine ou Os Infortúnios da Virtude. Apresentação e tradução de Edimond Jorge. Editora Entrelivros Cultural, s/d.

Continua: veja a parte 3 clicando aqui

Veja a parte 1 clicando aqui







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