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22 junho 2015

Literatura e Heavy Metal: Justine ou Os Infortúnios da Virtude-parte 1

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O livro Justine trata das dificuldades de duas irmãs desamparadas para sobreviver na sociedade francesa, na época da revolução: Justine e Juliette. A primeira sofrerá horrores para manter a sua virgindade, objeto de desejo de todos aqueles que se aproximam dela. A segunda, não importa com sua virtude quando a questão é a sobrevivência. É uma história que leva-nos a refletir sobre esses questionamentos e a maneira como é explorado o sadismo, em supostos membros sociais que deveriam ser exemplos para a sociedade, e chega a ser revoltante a forma como Sade (sádico de natureza) explora os tormentos que afligiram a vida de Justine. Mas no final do livro tem uma lição de moral, que me fez chorar!
Por Raquel Alves

Apresentando o autor:
Donatien Alphonses François de Sade ou mais conhecido no mundo literário como Marques de Sade nasceu em 1740 e era filho da dama de uma princesa chamada Marie Eléonore e o conde de Sade, o senhor Jean Baptiste-Joseph. Os estudos iniciais do jovem escritor envolveram o aprendizado do latim e grego em instituições jesuítas. No ano de 1755 se aventura ao ingressar na Cavalaria, sendo nomeado ou assumindo diversas patentes como subtenente e capitão. (JORGE, s/d).

Marques de Sade passou o equivalente a 30 anos de sua vida em celas de prisões francesas, em decorrência de dívidas, atos violentos sexuais (sádicos, masoquistas, flagelação), “festas de prazeres” (com sexo coletivo, diversos parceiros, e sodomia, que “no século XVIII a sodomia ativa ou passiva era passível de pena de morte” (JORGE, s/d, p. 06)), envenenamento (acusação feita por Marguerite Coste, uma frequentadora das festas sexuais de Sade), cárcere privado (de uma jovem pedinte chamada Rose Keller), “devassidão, blasfêmia, profanação da imagem de Cristo” (JORGE, s/d, p. 04), rapto, mas geralmente era libertado devido as suas influências e futuramente a posição social de sua esposa, que sempre procurava ajudar o marido em seus problemas.

Depois de sua primeira prisão em 1763, ao retornar a Paris, se apaixona por Colette e depois Beauvoisin, atrizes. Neste mesmo ano, casa-se com Rennée de Montrevil, e em 1767 nasce Louis-Marie, seu primeiro filho. Em 1769 nasce Donatien-Claude-Armand, e por fim em 1771, nasce sua filha Madeleine-Laure. Sade volta ao exército, se envolve em prisões, dentre elas a mais perigosa, que por intermédio de sua mulher, conseguiu fugir. Contudo, na última vez que fora preso, por sido acusado de raptar jovens, inclusive chegando a levar um tiro de raspão “do pai de uma cozinheira do castelo, Catherine Treillet, também chamada de Justine” (JORGE, s/d, p. 06), a senhora Montrevil, nora do Marques, decide de uma vez por todas manter o pervertido sádico e imoral detrás das grades por um bom período de tempo. Mais uma vez, Sade foge.

Contudo, preso, agora é transferido para a Bastilha. Em cada prisão que esteve, escreveu ou começou a rabiscar algumas de suas obras famosas. Em 1789 ocorre a Queda da Bastilha, local onde estava preso o Marques, (um dos eventos da Revolução Francesa). Em 1790 “é anulado as ordens de prisão e o marquês é liberto. Sua mulher está no convento de Sainte-Aure e recursar-se a vê-lo” (JORGE, s/d, p. 07). No mesmo ano, se envolve com uma comediante chamada Marie-Constance Renel. Em 1793, mesmo debilitado de saúde, é preso e adoece ainda mais, sendo liberto em seguida.

No período de 1801 a 1807, é novamente mantido “entre as jaulas prisionais”. O ano de 1810 marca a morte da esposa do marquês, que está no convento. Sade morre em 1814.

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Cronologicamente está organizado sua vida literária:
“1782- Começa a escrever: O pensamento inédito, O diálogo entre um[1] padre e um moribundo e 120 dias de Sodomia.

1783- O Precavido e o marido crédulo (comédia) e Jeanne Laisné (tragédia)

1786- Aline e Valcourt (começa a escrever quando é transferido para a Bastilha)

1787- Escreve a obra Justine em apenas 16 dias e publica em 1791.

1791- Apresenta no teatro um drama: Oxtiern ou As desgraças da libertinagem
1795- Publica A filosofia da alcova e Aline e Valcour. A história de Justine é republicada e a irmã da personagem, Juliette, ganha uma história também.

1801- Publica os Crimes de Amor e Uma ideia sobre os romances

1807- Escreve Os Dias de Florbelle ou a Natureza Desvendada (mas é destruído o manuscrito na prisão)

1812- Adelaide de Brunswick

1813- História secreta de Isabel da Baviere e publica A marquesa de Gange”




[1] (JORGE, s/d, p. 06-07)


Resumo da Obra:
        Juliette e Justine são duas jovem francesas desamparadas. O pai fugira para a Inglaterra e a mãe, morreu tempos depois, devido a enorme tristeza motivada pelo abandono do seu parceiro. O destino foi o mestre que criou as meninas. Com pouco dinheiro para se sustentarem, logo o convento lhes fecha as portas. Com 100 escudos (moeda), cada uma parte para caminhos separados.

“É porque só se gosta das pessoas por causa da ajuda ou dos agrados que se imagina que possa vir a receber” (Justine).

        Juliette conheceu uma senhora prostituta que lhe ensinou como usar seu corpo para obter dinheiro fácil e ofereceu uma oportunidade de sobreviver a vida. Logo, casou-se com o Conde de Lorsange e tratou de matá-lo para logo desfrutar de seu dinheiro. Cometeu três infanticídios ao longo da vida e outros crimes.

        Já Justine, preferindo viver honestamente sem vender sua virtude, resolve pedir ajuda a um padre, que tenta molestá-la.

“Quanto a desgraça que atormenta a virtude, o infeliz a quem a sorte persegue tem o consolo da sua consciência, e os prazeres secretos que colhe da sua pureza, logo o compensam da injustiça do homem” (Narrador).
        Logo a história nos leva para o futuro: uma jovem acusada de crimes como assassinato, roubo e incêndio, vive com o senhor de Conville e sua esposa. Na presença daqueles nobres cidadãos, a jovem que oculta seu nome, resolve conta-lhe suas desgraças, narrando pois, sua vida.

“Esta virtude da qual fazeis tanto luxo de falar não serviu para nada neste mundo e fareis bem em entregá-la a alguém quando não tiverdes sequer um copo d’água para beber” (senhor Dubourg).
      Mendigando pelos cantos, Justine é acolhida por um velho avarento chamando Du Harpin e sua amante. É encarregada de realizar os trabalhos domésticos.
“Já estava escrito na página dos meus destinos que cada uma das minhas ações honestas para onde meu caráter me levasse, deveria ser paga com uma desgraça” (Justine).

        O patrão logo manda prender Justine acusando-a de roubo, sendo que os verdadeiros culpados sãos os próprios patrões da jovem.

“Aqui, acredita-se que a virtude é incompatível com a miséria, e nos tribunais, o infortúnio é uma prova completa contra o acusado” (Justine).
        Na prisão conhece uma ladra chamada Dubois que juntamente com seus comparsas, incendeia o local. Ela oferece ajuda a Justine, e quando a menina desconfia de Dubois, a mesma a obrigar a seguir em sua vida de crimes, a medida que pressiona os delinquentes de seu bando a estuprar Justine. Aproveitando-se de um briga para ver que primeiro estupra Justine, ela aproveita e foge.

        Justine presencia no bosque a relação sexual de dois homens: o jovem Adonis Bressac e seu criado Jasmin. O jovem, temendo que Justine contasse o que viu, a leva para casa antes de ameaçá-la casa se atreva a dizer a verdade. Justine confia na senhora Bressac, que promete ajudá-la em seus problemas judiciais (o roubo e incêndio na prisão). Levando uma vida como criada, Justine ousa sonhar com o amor: está apaixonada por Adonis. Contudo, o jovem planeja atentar contra a vida de sua mãe e pede que Justine o ajuda. A mesma concorda em ser sua cúmplice, com medo de suas ameaças, mas conta tudo a condessa que fica horrorizada com o que o filho planejava.


“Mas estava escrito no céu que esse crime abominável seria executado e que a virtude humilhada cederia aos esforços da perversidade” (Justine).
Continua: veja a parte 2 clicando aqui



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