Hoje trago pra vocês, um artigo jornalístico que escrevi para a disciplina de Impresso II da Universidade Federal do Ceará (Campus Cariri) e gostaria de compartilhar aqui:
Define-se solidão como um estado
ou sentimento no qual o ser humano se sente só, isolado em um mundo
desconhecido e sombrio, habitado somente pelo vazio de sua própria existência.
É claro que essa é uma explicação simples para uma palavra tão complexa e
carregada de significados.
A
solidão é um sentimento derivado de tantos outros, que variam desde sensação de
abandono, exclusão, inferioridade, etc... Fatos e acontecimentos que ocorrem ao
nosso redor são fatores que também influenciam o ser a adentrar neste estado de
solidão (traumas de infância, brigas, separações). No final, a pessoa acaba se
isolando em seu próprio universo.
Desde
os tempos antigos, o homem sempre procurou viver em comunidade, ter um vínculo
social, se identificar com certos preceitos que regem um dado grupo social ao
qual está inserido... Mas às vezes, mesmo estando no seu grupo, ainda
convivemos com o sentimento da solidão, o que nos deixa angustiado e se torna
uma sombra receosa a nos perseguir na vida.
A
solidão humana é o objeto de estudo nos diversos campos da ciência e assunto de
gigante abrangência e questionamento na literatura, na psicologia, na
sociologia, etc. A escola existencialista (séculos XIX e XX), por exemplo, dentre
as suas temáticas de seu estudo, volta o seu olhar para o assunto ‘solidão’ e a
coloca no patamar de elemento constituinte da “essência humana”.
Jean Paul
Sartre já dizia "Se você sente solidão quando a sós, está em
má companhia."
Na literatura, a
solidão é uma espécie de fuga de uma realidade cruel, uma inspiração poética, a
bebida delirante tragada de uma só vez pelos poetas e escritores de diversos
movimentos literários (como por exemplo, o romantismo, o simbolismo, e outros que
trabalham com o sentimentalismo exagerado, individualismo, a consciência da
solidão, tédio, frustração).
Henri Lacordaire, padre, jornalista e religioso
francês fala “É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas
e anima o gênio”.
Esse sentimento reflete também um medo reinante
na mente do autor que tenta transcrever no papel perguntas, dúvidas e horrores
causados por esse sentimento tão poderoso.
Victor Hugo, poeta romântico,
enfatiza que “Todo o inferno está contido
nesta única palavra: solidão”, manifestando então, o maior receio do homem
(ou a melhor escapatória, em um dado momento de sua vida).
Nos poemas de Álvares de Azevedo, a não realização do
amor, a morte prematura de sua amada, fortalece o sentimento de solidão, aliado
ao negativismo, loucura, pessimismo, desilusão. Um exemplo é o poema Solidão, cujo trecho de destaque exprime
tudo que fora acima mencionado: “Minha
alma tenebrosa se entristece, É
muda como sala mortuária, Deito-me só e triste, e sem ter fome, e vejo na mesa a ceia
solitária”.
Quando falamos de música, vários
estilos musicais tem como mote a solidão. Porém me delimito no gênero e
sub–gêneros do Heavy Metal (Symphonic
Metal, Doom Metal, Gothic Metal...). As letras abordam as diversas condições
humanas (traumas pessoais) e
também discutem sobre a religião, sexualidade, morte, romance, histórias
mitológicas, horror.
Trechos
de algumas músicas selecionadas exprimem uma solidão mais ‘ultra–romantizada’.
É aquela em que a ausência do ser amado eleva o estado de isolamento de quem
fica neste mundo a sofrer pela perda ou pela impossibilidade desse amor ser
real.
A banda gótica Evanescence, na
música Solitude demonstra uma adoração a esse
sentimento: “Quantas vezes você me disse
que a ama? (...) Oh, solidão, Ainda comigo é só você, Oh, solidão, Eu não
consigo me afastar de você (...) Quem agora está sozinho, além de mim? (...) Oh,
solidão, Só você, a única verdade.”
Insania, banda de Melodic/ Power
Metal, na música Forever Alone mostra
o antagonismo entre o querer estar só, o querer ser inserido num grupo social e
a predominância da solidão como a vencedora nesta disputa: “Olhe para os olhos dele, o que vc vê? Não há
anda além de solidão e tristeza (...) Ele está chorando em solidão, pra sempre,
Ele está buscando por amigos (...) Ele apenas quer viver sozinho, pra sempre.”
After Forever, banda de Symphonic Metal, na música Alone remota ao medo de terminar os últimos dias de vida, tendo como única companhia a solidão, em virtude da não concretização do amor “(...) Espero, porém, que não termine sozinha (...) E meu amor por você permanece desconhecido.”
Este mesmo pensamento, está presente na música Desolation da banda Midnatssol “(...) Gostaria de saber como se sente ao ser amado, Eu me pergunto como é ser tocada, ver todos os outros de mãos dadas e eu ainda estou sozinha comigo mesma.”
Encerrando a discussão do tema acima mencionado e relacionando–o a música, temos as canções I walk alone da cantora Tarja Turunen e Lonely Day da banda System of a down que mostra a conscientização que o indivíduo adquire sobre a solidão: “(...) Eu caminho sozinha, Cada passo que dou, Eu caminho sozinha.” “Um dia tão solitário! E é meu, O dia mais solitário da minha vida, Um dia tão solitário! Devia ser banido, É o dia o qual não posso agüentar (...).”
No
decorrer destes parágrafos, tivemos uma noção da definição romantizada da
solidão, especialmente na literatura e na música. Mas ainda resta a pergunta
que não quer calar: por que o ser humano vive rodeado de gente e mesmo assim se
sente só?
Esta
é uma pergunta que requer inúmeras discussões até que encontremos uma resposta
concreta. O que não podemos deixar é que esse sentimento interfira na nossa
vida a ponto de nos causar mal. É claro que há momentos na vida, em que minutos
de isolamento, meditação e silêncio são necessários para repensarmos certas reflexões
referentes a nossa vida, mas isso não implica que a solidão seja a única maneia
de ‘escapismo’, da não aceitação ou negação da realidade ao nosso redor, do
medo de enfrentar os nossos demônios interiores e exteriores.








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